Reza a história que o FC Porto derrotou a Juventus de Cristiano Ronaldo (2-1), vingando, em parte, a final de Basileia da Taça das Taças em 1984. O FC Porto mostrou que o futebol não é de um magnata engravatado ou de um Sheik qualquer. O futebol é de ricos e de pobres. E é feito de sonhos do tamanho de um relvado e de vitórias de David contra Golias. O futebol é, no fundo, igualdade, independentemente das cores das camisolas, do palmarés ou da riqueza. O FC Porto disse ‘Basta!’ às ideias megalómanas de uma Superliga europeia e voltou a provar (como se fosse preciso) que o futebol não tem dono. Os dragões foram bravos, corajosos e, também, felizes. Mas fizeram por sê-lo, diga-se. Sérgio, que esta noite ganhou o cognome «O Ousado», apresentou uma equipa em 4x4x2 com a intenção de pressionar a Juventus bem à saída da sua área. E a estratégia surtiu efeito aos 61 segundos. Haveria, porventura, melhor início? Bentancur recebeu na área e cometeu o erro pelo qual a pressão dos dragões suplicava: Szczesny tentou aliviar a bola, mas acertou em Taremi. O sonho do dragão ganhava asas bem cedo. Conscientes do que tinham de fazer, os portistas pressionavam alto na saída de bola adversária e reagrupavam assim que os italianos invadiam o seu meio-campo com a bola controlada. Nem se deu por Cristiano Ronaldo, Kulusevski, Chiesa, Rabiot, principais figuras dos bianconeri, completamente presos na teia montada pelo FC Porto. Foi, por isso, que a Vecchia Signora raramente importunou Marchesín salvo um cabeceamento fraco de De Ligt e um pontapé de bicicleta de Rabiot (em fora de jogo). Tal como na primeira parte, o FC Porto marcou logo a abrir a segunda parte. Para ser preciso, marcou aos 18 segundos (!). Deixem-nos sonhar, gritava certamente a alma dos 11 portistas em campo. Numa bela jogada entre Otávio, Corona e Manafá, o lateral-direito ultrapassou Alex Sandro e serviu Marega para o 2-0. E agora, meus senhores? Completamente banalizada, a Juventus ficou perto de comprometer a eliminatória. Nem dez minutos após o golo, Sérgio Oliveira teve tempo e espaço para conduzir até à área e rematar para defesa de Szczesny. Pirlo baralhou e voltou a distribuir. Lançou Morata por McKennie e colocou a equipa em 4x4x2, expondo-a a um risco desnecessário. Conceição reagiu e trocou Marega por Grujic, já depois de ter retirado do jogo Otávio. O FC Porto não se amedrontou com as trocas e continuou à procura do golo que lhe poderia dar um conforto enorme para a viagem a Turim. Corona esteve perto de ser o herói, mas Szczesny tirou-lhe um golo de bicicleta antes de o árbitro marcar posição irregular. Sentia-se que o FC Porto poderia chegar ao 3-0. No entanto, as grandes equipas têm mais que uma vida. E a Juventus, apesar das deficiências que apresenta, é uma grande equipa e conseguiu um precioso golo apontado por Chiesa, que surgiu nas costas de Zaidu. Não foi, de todo, justo para o que se passou em campo. A crónica campeã de Itália só assustou de meia-distância na segunda parte e não criou situações claras para marcar até ao 2-1. Porém, o golo italiano incomodou o FC Porto que, graças a Marchesín, não sofreu o empate. Como se disse, o FC Porto merece sonhar com a passagem aos quartos depois de um triunfo histórico – nunca tinha batido a Juve. Afinal, o futebol não tem dono. É de todos.